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| Croqui do Plano Piloto de Brasília |
Fragmentos Arquitetônicos
Sobre arquitetura e papel do arquiteto na sociedade, imaginação, criação, etc. Fruto da simples e usual necessidade de sublinhar textos que, formalmente não poderiam ser sublinhados, mas exigiam, que fossem transcritos em algum lugar e compartilhados, juntamente com alguns outros que apenas mostraram a necessidade de serem divididos.
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Considerações sobre arte contemporânea - anos 40
Enquanto satisfaz apenas as exigências técnicas e funcionais, não é ainda arquitetura; quando se perde em intenções meramente formais e decorativas, tudo não passa de cenografia; mas quando - popular ou erudita - aquele que a ideou pára e hesita ante a simples escolha de um espaçamento de pilares ou da relação entre a altura e a largura de um vão, e se detém na obstinada procura da justa medida entre cheios e vazios, na fixação dos volumes e subordinação deles a uma lei, e se demora atento ao jogo dos materiais e seu valor expressivo - quando tudo isso se vai pouco a pouco somando em obediência não só aos mais severos preceitos da técnica construtiva, mas também àquela intenção superior que seleciona, coordena e orienta em determinado sentido toda essa massa confusa e contraditória de pormenores, transmitindo assim ao conjunto ritmo, expressão, unidade e clareza, o que confere à obra seu caráter de permanência - isto sim é arquitetura.
do livro "Com a palavra Lucio Costa" de Maria Elisa Costa
do livro "Com a palavra Lucio Costa" de Maria Elisa Costa
| Lucio Costa |
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
Sobre a luz
terça-feira, 27 de julho de 2010
Sobre novas obras
"Cada nova obra intervém numa certa situação histórica. Para a qualidade desta intervenção é crucial que se consiga equipar o novo com características que entrem numa relação de tensão significativa com o existente. Para o novo poder encontrar o seu lugar, precisa primeiro de nos estimular para ver o existente de uma nova maneira. Lança-se uma pedra na água. A areia agita-se e volta a assentar. O distúrbio foi necessário. A pedra encontrou o seu lugar. Mas o lago já não é o mesmo."
Pensar a Arquitetura - Peter Zumthor - p.17
Pensar a Arquitetura - Peter Zumthor - p.17
quarta-feira, 7 de julho de 2010
Impacto matinal
"O ser humano precisa de não estar sempre no cotidiano, precisa sair do cotidiano e entrar em outros níveis, noutra sensação do mundo, precisa de voltar a saber que não há um só caminho entorpecedor e mecânico, que a vida é mais subtil do que isso, mais rica de redes e nós dos sentidos e sensações, de linhas que se cruzam e baralham e iluminam."
Gazeta Improvável, Vera Mantero
Sobre modos de pensar e viver
"Os modos de vida inspiram maneiras de pensar,
os modos de pensar criam maneiras de viver."
Gilles Deleuze, Nietzsche
...portanto, coloquemos nossas caixolas pra funcionar...
os modos de pensar criam maneiras de viver."
Gilles Deleuze, Nietzsche
...portanto, coloquemos nossas caixolas pra funcionar...
terça-feira, 29 de junho de 2010
Sobre a imaginação
Soberania
Naquele dia, no meio do jantar, eu contei que
tentara pegar na bunda do vento — mas o rabo
do vento escorregava muito e eu não consegui
pegar. Eu teria sete anos. A mãe fez um sorriso
carinhoso para mim e não disse nada. Meus irmãos
deram gaitadas me gozando. O pai ficou preocupado
e disse que eu tivera um vareio da imaginação.
Mas que esses vareios acabariam com os estudos.
E me mandou estudar em livros. Eu vim. E logo li
alguns tomos havidos na biblioteca do Colégio.
E dei de estudar pra frente. Aprendi a teoria
das idéias e da razão pura. Especulei filósofos
e até cheguei aos eruditos. Aos homens de grande
saber. Achei que os eruditos nas suas altas
abstrações se esqueciam das coisas simples da
terra. Foi aí que encontrei Einstein (ele mesmo
— o Alberto Einstein). Que me ensinou esta frase:
A imaginação é mais importante do que o saber.
Fiquei alcandorado! E fiz uma brincadeira. Botei
um pouco de inocência na erudição. Deu certo. Meu
olho começou a ver de novo as pobres coisas do
chão mijadas de orvalho. E vi as borboletas. E
meditei sobre as borboletas. Vi que elas dominam
o mais leve sem precisar de ter motor nenhum no
corpo. (Essa engenharia de Deus!) E vi que elas
podem pousar nas flores e nas pedras sem magoar as
próprias asas. E vi que o homem não tem soberania
nem pra ser um bentevi.
tentara pegar na bunda do vento — mas o rabo
do vento escorregava muito e eu não consegui
pegar. Eu teria sete anos. A mãe fez um sorriso
carinhoso para mim e não disse nada. Meus irmãos
deram gaitadas me gozando. O pai ficou preocupado
e disse que eu tivera um vareio da imaginação.
Mas que esses vareios acabariam com os estudos.
E me mandou estudar em livros. Eu vim. E logo li
alguns tomos havidos na biblioteca do Colégio.
E dei de estudar pra frente. Aprendi a teoria
das idéias e da razão pura. Especulei filósofos
e até cheguei aos eruditos. Aos homens de grande
saber. Achei que os eruditos nas suas altas
abstrações se esqueciam das coisas simples da
terra. Foi aí que encontrei Einstein (ele mesmo
— o Alberto Einstein). Que me ensinou esta frase:
A imaginação é mais importante do que o saber.
Fiquei alcandorado! E fiz uma brincadeira. Botei
um pouco de inocência na erudição. Deu certo. Meu
olho começou a ver de novo as pobres coisas do
chão mijadas de orvalho. E vi as borboletas. E
meditei sobre as borboletas. Vi que elas dominam
o mais leve sem precisar de ter motor nenhum no
corpo. (Essa engenharia de Deus!) E vi que elas
podem pousar nas flores e nas pedras sem magoar as
próprias asas. E vi que o homem não tem soberania
nem pra ser um bentevi.
Manoel de Barros - "Memórias Inventadas - A Terceira Infância"
Sobre a função do arquiteto
"A função do arquiteto é criar espaços para a sociedade. A criação requer domínio do processo de produção em seus meios e fins. Requer repertório cultural abrangente, por lidar com anseios da sociedade, e materialização dos seus objetivos. O espaço físico há de ter estabilidade, funções determinadas e propiciar bem-estar ao homem na sua privacidade ou em sociedade.
Arquitetura é arte e ciência, portanto está em constante contemporaneidade. Mas é difícil a assimilação cultural, pela sociedade, dos reais valores do espaço, urbano ou livre, ecologicamente sustentável. Essa dificuldade se agrava com as diferenças econômicas das classes sociais que usufruem incorretamente o poder sobre os bens comuns, subestimando o futuro."
Nadir Mezerani
Sobre criação qualquer
"Devemos carregar na cabeça fogos de artifício que estourem, e para a nossa felicidade afugentem a dose de morrinha diária que nos oferecem."
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